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6 Regras de Escrita de George Orwell

Quão ruim seria se você tivesse a melhor história do mundo, mas ninguém estivesse disposto a lê-la simplesmente porque ela se perdeu entre palavras rebuscadas, ideias confusas e escrita maçante?

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Jurandir Gouveia
jan 26, 2024
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Em tempos nos quais somos constantemente bombardeados por informações e mensagens, escrever de maneira clara e precisa é essencial para se destacar na comunicação moderna.

George Orwell, um gigante da literatura cujas visões distópicas anteciparam muitos dos eventos atuais, entendia o poder das palavras e, por isso, criou obras que marcaram sua época, mas também influenciaram profundamente a nossa.

Para Orwell, uma linguagem direta e transparente era especialmente importante, sobretudo porque ele estava vivendo em tempos de grande incerteza política e social. Suas obras mais conhecidas, '1984' e 'A Revolução dos Bichos', são também um comentário sobre o uso e abuso da linguagem para o controle das massas, que transformou nossa visão de mundo e influenciou governos.

George Orwell deixou sua marca na literatura na forma de 6 regras que ele utilizava em sua escrita, extraídas de seu ensaio "Política e a Língua Inglesa" (Politics and the English Language), publicado em 1946. Este ensaio é frequentemente citado por escritores, jornalistas e educadores, devido à sua análise perspicaz e crítica sobre o uso da linguagem, especialmente no contexto político e midiático.

No ensaio, Orwell argumenta que a linguagem obscura e imprecisa é frequentemente usada para disfarçar verdades desagradáveis e manipular o pensamento. As regras que ele propõe visam combater essa tendência.

Embora essas regras sejam específicas para a escrita em inglês, os princípios subjacentes são universais e podem ser aplicados em qualquer idioma, e se você já leu George Orwell, ao conhecer suas regras, perceberá como elas são claras e evidentes em tudo que ele escrevia, começando pela primeira:

REGRA NÚMERO 1 - Nunca use uma metáfora, símile ou outra figura de linguagem que costuma \ver impressa.

Para aprofundar a primeira regra de escrita de Orwell, é importante compreender o raciocínio e o princípio por trás dela, que neste caso é o de manter a ORIGINALIDADE E CLAREZA na escrita, um aspecto importante para qualquer escritor.

Orwell alerta contra o uso de frases feitas e clichês, que são facilmente reconhecíveis e podem parecer genéricas e pouco originais.

Ao evitar metáforas e símiles desgastados, você tem mais espaço para suas próprias expressões e ideias. Por exemplo, ao invés de usar "Marcos voltou à estaca zero" em uma situação onde um projeto ou pesquisa não deu certo, você poderia dizer: "O resultado desastroso de suas ações fez com que Marcos repensasse sua ideia inicial”. Ao invés de dizer: “Clara percebeu que aquela era apenas a ponta do iceberg”, a frase seria bem mais interessante se escrita: “Clara percebeu que sua descoberta era uma pequena fração dos problemas que estavam para acontecer”.

Se você não está escrevendo poesia, deixe “o olhar dele era frio como o gelo” apenas para casos onde o seu personagem esteja dizendo essa frase. Se você pode optar por uma expressão que detalhe e ilustre de forma precisa a situação, faça isso em vez de se apoiar em frases prontas ou clichês. Dessa forma você confere mais valor e genuinidade ao seu texto e é um meio de evitar que o texto se torne previsível e monótono.

A chave para aplicar essa regra é avaliar cada figura de linguagem individualmente, questionando se ela adiciona valor e significado ao texto ou se está apenas preenchendo espaço.

Contudo, mantenha sempre o equilíbrio. A busca excessiva por ser original não deve comprometer a compreensão da mensagem principal ou da sua história. Às vezes, a simplicidade pode ser a melhor escolha.

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