O Tal Bloqueio Criativo
E O Que a Ciência Diz Sobre Ele

Todo escritor que se preze já se viu diante de uma página em branco enquanto um turbilhão de pensamentos, ou a ausência deles, o impedia de escrever uma única linha. Uma única! De repente, a bendita página se transforma em um monstro terrível e espantoso, daqueles que tememos com todas as forças de nossas entranhas.
Grandes nomes da literatura, como Ernest Hemingway, John Steinbeck, Stephen King e Margaret Atwood, já relataram ter vivido essa situação, e, sendo algo tão recorrente assim, era de se esperar que já existisse uma solução para esse problema. No entanto, isso ainda não aconteceu, pelo menos não de forma definitiva e consensual.
As dicas que circulam por aí vão desde tirar um tempo da escrita para ativar a criatividade através de outras atividades, relaxar, ir a um café, até estabelecer uma rotina rígida de escrita, reservando um horário específico do dia para essa atividade, mesmo que não se sinta nem um pouco inspirado para isso.
Um estudo realizado nos anos 70 por dois pesquisadores de Yale, Jerome Singer e Michael Barrios, investigou escritores profissionais que enfrentavam bloqueios criativos. Eles descobriram que esse bloqueio vai além da simples falta de ideias ou talento, como muitos escritores tendem a acreditar.
Ao invés disso, eles concluíram que existem quatro principais gatilhos que podem afetar a criatividade na hora da escrita. A princípio, essas causas podem parecer complexas, e na verdade são, mas ao descobri-las, senti que deveria estender misericórdia a mim mesmo sempre que enfrentar bloqueios criativos, simplesmente porque existem coisas que estão além da superfície, e para elas, a solução também é complexa. Aliás, se existem quatro tipos de problemas, podem existir quatro ou muitos mais tipos de soluções.
Acredito que seja útil para todo escritor conhecer a conclusão deste estudo, então vamos ao primeiro problema encontrado:
O BLOQUEIO POR MEDO DO FRACASSO
Como alguém que já teve a gaveta cheia de coisas não publicadas e até já retirou um livro de circulação por não estar satisfeito com o resultado, reconheço que o medo do fracasso pode ser paralisante, pois parte de um perfeccionismo e de uma autocrítica excessiva.




