Personagens Magnéticos
quem é a pessoa que fará seu leitor virar a próxima página?
Todo romance precisa de pelo menos uma figura que prenda a atenção e empurre o leitor para a página seguinte. Antes de pensar nos acontecimentos, no cenário ou na sequência de reviravoltas, o escritor precisa decidir quem é essa pessoa. Não basta que ela exista dentro da trama. Ela precisa ter algo que a destaque de todos os outros, uma qualidade que faz com que queiramos saber o que vai acontecer com ela. Chamo isso de personagem magnético, e ele é, com frequência, a primeira coisa que nasce na cabeça de quem escreve, antes mesmo do enredo.
A lógica é simples. Você acompanha um filme de duas horas ou um livro de trezentas páginas por causa de uma pessoa que ocupa o centro da sua atenção. Se essa pessoa for esquecível, nada do que acontece importa. Foi por isso que Mario Puzo construiu O Poderoso Chefão em torno de Don Corleone.
O leitor entra no mundo da máfia porque quer entender aquele homem que fala baixo, decide com calma e comanda um império inteiro a partir de uma poltrona. Os tiroteios, as traições e os casamentos vêm depois. Primeiro vem o personagem.
Existe um limite, porém. Uma história não comporta muitas figuras magnéticas ao mesmo tempo. Se todos os personagens disputam o centro da cena, nenhum se destaca, e o leitor não sabe em quem investir sua atenção. Você já deve ter visto aqueles filmes all star, repleto de estrelas. As pessoas pensam: como pode um filme com tanto ator famoso fracassar? Simples: atores famosos querem papeis fortes, um filme com muitos personagens fortes deixa o espectador perdido, sem saber onde direcionar sua atenção. Um romance funciona melhor com uma ou duas dessas figuras, cercadas por personagens que cumprem outras funções: contrastar, apoiar, complicar. O magnetismo precisa de espaço ao redor para ser percebido.




